sábado, 15 de maio de 2010

Bolhinhas de sabão

Água, sabão e canudo de mamão,
Não precisava muito para fazer a diversão...

Bolhinhas grandes, pequenas, coloridas,
Voavam soltas como se tivessem vida.

Vida curta e bastante passageira,
Mas distraíam as crianças durante uma tarde inteira.

Eram mágicas aquelas bolhinhas viajantes...
Umas flutuavam pouco, outras iam bem distante.

E bons tempos os que se viam tantas delas pelos quintais,
Hoje em dia só se criarem as bolhinhas virtuais.



(Laiana Vieira.)

Meu calor vai te bastar



De repente tenho a leve sensação de que os meus braços foram feitos especialmente para abrigar você.

Se isso for verdade não precisará de agasalho para este inverno.
[Laiana Vieira]

sexta-feira, 14 de maio de 2010

sábado, 1 de maio de 2010

Eu invisível


Me sento no banco da praça e fico a observar
Essa gente que passa fingindo diversão...
As vezes, por falta de opção,
Melhor não julgar ninguém.
Mas nem sempre,
Tem gente que parece sentir prazer em fazer das outras pessoas, tapete vermelho!
Consigo enxergar a expressão de dor daqueles que estão sendo pisoteados,
Mas não conheço ninguém.
Pois essa gente tem mania de se esconder por detrás de marcas e máscaras,
Se cobrem tanto do que não são que fica quase impossível reconhecê-las a olho nu.
Todos homogeneizados como numa mistura química.
Com igual personalidade...
É estranho!
E quando aparece alguém que não se enquadra,
Este, vira tapete.
Tenho medo de ficar sem saída e me tornar quem hoje critico.
Eu que estou aqui, de sandália de couro e camiseta branca,
Preciso dar o fora o mais rápido possível antes que alguém me veja.
Ah! Já ía esquecendo: SOU INVISÍVEL.

(Laiana Vieira).

sexta-feira, 30 de abril de 2010

DO VALOR QUE DEVEMOS DAR AO QUE CONQUISTAMOS, antes que a paz da vida seja arrancada de nós

Estava prestes a anoitecer, ele sentou-se no banco de madeira antiga a frente da sua casa, numa varandinha improvisada, com o chapéu de couro nas mãos. Olhava para longe, olhava a linha do horizonte, numa paisagem na qual predominavam os cactos esverdeados, uma terra seca e rachada, pedras pintadas e carcarás. Olhava e não acreditava no que via... Ele nada via. Nada além da secura de seu passado, que agora presente e tão provável futuro. Vida árdua! De tanto lutar com unhas e dentes, perdera os dentes, ganhara apenas calos nas mãos. Seus olhos permaneciam fixos no nada, suas mãos apertavam firmemente o couro que segurava e o vento batia em seu rosto enquanto ele pensava...
Sua amada lhe trazia um café que acabara de preparar. Ela, com sua saia cumprida, um lenço sobre os cabelos um tanto embranquecidos pelos anos que já vivera e uma bandeja nas mãos. Segurava a bandeja sob duas xícaras de barro escuro, espalhando pelo ar o vaporzinho cheiroso do café.
-O que estás a fazer, homem?
-Estou a esperar esse café quentinho e o aconchego seu!
Ela serviu o café, sentou-se ao seu lado, olhou-o nos olhos e perguntou com cansaço:
-Responda-me com franqueza, você acha que foi feliz ao meu lado?
Ele franziu um pouco a testa, tomou um grande gole de café, colocou a xícara no largo corrimão da varanda, olhou-a nos olhos, azulados como o céu de dia, arriou os ombros e sorriu... Sorriu de verdade, deu uma gargalhada inesperada, daquelas que mesmo sem dentes para compor o sorriso ainda se faz presente num momento tão singular. Ela, com expressão de incógnita, calou-se de vez! Ele suspirou, pegou na mão dela e exclamou:
-Fui o homem mais feliz desse mundo, mulher! Só por ter você ao meu lado! Acha que preciso de mais algo nessa vida?
Abraçou-a e continuou:
-Tudo que eu preciso, tenho. Uma casa só para nós, uma enxada para trabalhar, a melhor mulher do mundo e um cafezinho todo fim de tarde... Ah! Igual a esse cafezinho não existe não!
Ela, que antes insegura, agora sorria com seu marido... E começaram, os dois, a relembrar o tempo antigo. Namoricos no portão, festa de casamento, cenas de ciúmes, reconciliações...
O céu já azul marinho, todo coberto de estrelas a brilhar era o cenário perfeito de uma noite de luar no sertão...
Caminhando lentamente uma vizinha foi passando com seu pequeno filho nos braços, cumprimentou o casal dizendo "boa noite". Ambos responderam juntos como se tivessem ensaiado. A senhorinha sem parar de andar completou:
-E essa chuva que não vem?
Ele respondeu:
-Um dia ela chega, Dona! Um dia ela chega!
Sem mais nenhuma tentativa de puxar assunto a vizinha se foi.
Ele mal esperou sua mulher tomar todo o seu café e convidou-a:
-Vamos entrar mulher. Que hoje a noite vai ser "arretada"!
Animados, sorriram.
A porta se fechou!

Ele, assustado com o "boa noite" do segundo filho da vizinha que voltara de longe com uma lata d'água na cabeça, movimentou-se bruscamente procurando a xícara de café, e, rancoroso do passado, disse para si mesmo: - Que peste é que faço nesse banco? A mulher se foi há mais de oito anos e ainda sonho com ela! É o jeito parar de dormir.

(Laiana Vieira)

sábado, 10 de abril de 2010

Unidos pela poesia

Conheci um menino sonhador de olhos tristes. Era um poeta! Os óculos, muitas vezes, disfarçavam a solidão emitida pela íris, era, para ele, um disfarce, uma saída.
Conheci um homem corajoso de olhar amigo. Coração puro e ombro disponível apesar da sua carência de colo.
Incrível foi o amor ter surgido logo após um ou dois encontros de palavras. A poesia foi responsável por isso.
Planejamos um contato real durante tempos...
E enfim era chegada a hora...
Em meio a multidão que se alojava, os olhos curiosos a procura um do outro.
Um grito.
Era ele.
A corrida desenfreada e a vontade de sentir o calor do abraço pela primeira vez, já sentido tantas vezes em sonhos e pensamentos.
Não poderia ter sido mais perfeito!
E, uma vez, despido das lentes, mostrou-me os olhos e mal percebi que o que lhe faltava eram os óculos.
Eram lindos os seus olhos. De um brilho e uma transparência sem igual.
E nós fomos amigos até aquele dia.
Fomos amigos de verdade. Daqueles que se criticam e continuam a se amar.
Mas hoje...
Hoje, irmãos...
Irmãos de alma, coração...
E "sangue frio". [hehehe].

Existe amizade sincera e sem interesse entre um homem e uma mulher. E aos que não acreditam nisso, fica o meu desejo de que um dia aprendam a viver.

(Laiana Vieira).

domingo, 28 de março de 2010

Para alguém que amo muito

Um dia eu precisei de alguém para conversar... Eu nem tinha nada a dizer, mas ele puxou papo, aí falamos um monte de besteiras... E eu sorri.
Um dia eu precisei de alguém para ficar ao meu lado sem dizer uma palavra... Ele não disse nada, apenas com gestos de carinho, olhou-me nos olhos me transmitindo paz...
Um dia precisei de um abraço. Ele me deu um abraço bem forte e me ofereceu o seu colo.
Um dia eu precisei de alguém para rir comigo, ainda que não tivesse um motivo aparente... Rimos juntos até dar dor de barriga.
Um dia, precisei muito de carinho, mas não consegui abrir espaço para que alguém se aproximasse. Ele chegou bem de mansinho e invadiu o meu coração rapidamente com a força da sua delicadeza.
Um dia, quando eu não acreditava em mim, ele acreditou e me deu forças, assim como a minha mãe costuma fazer.
Um dia eu desejei ser amada... Ele disse que iria se declarar para mim, e eu até esperei frases feitas e cópias de falas de filmes de comédia romântica, mas fui surpreendida com a maneira com a qual ele conseguiu demonstrar um amor sem precisar de palavras.
Um dia eu me senti só. E quando menos esperei, ele esteve comigo, mas de uma forma que eu nem imaginava que ele poderia estar...
Ele conseguiu me fazer conhecer a grandeza das coisas mais simples da vida e me mostrou que a felicidade está nessas pequenas coisas... Ele conseguiu me fazer sorrir de nada, me fazer chorar feito criança, me fazer dizer "te amo", e me fez sentir muita saudade...
Ele conseguiu preencher um vazio, mesmo estando há quilômetros de distância...
Acho que ele é o amor da minha vida, né?
E agora eu desejo poder retribuir cada sorriso, o conforto de cada abraço, toda a paz transmitida, o amor e a felicidade de cada momento.
ESPERO TE FAZER FELIZ DO JEITO QUE VOCÊ ME FAZ!
Feliz aniversário meu amor.



(Laiana Vieira)

sexta-feira, 12 de março de 2010


Gostaria de descrever exatamente o "filme", que foi aquela nossa despedida...
Mas, sei que não será possível!
Foi único demais para reproduzir aquele momento em palavras,
Foi rico demais para tentar modificar e expor em uma história para quem quer que seja.
Tudo o que sei é que apesar de triste, foi maravilhoso...
Foi maravilhoso perceber que não era só eu que sentia, apesar de já imaginar isso há algum tempo,
Sinto aquele momento como o ápice da pureza do sentimento.
Foi bom saber que era real, e não um teatro que pudesse parecer emocionante e ou divertido...
Nós nem tínhamos público.
E nem somos tão bons atores assim,
A ponto de representar tão bem um momento vivido,
A ponto de mentir, só para agradar um ao outro e deixar por isso mesmo.
Isso não faz nenhum sentido.
Nós não precisamos de farça.
Do contrário, nada nos impediria de irmos embora de vez,
Não usamos correntes...
Estamos livres!
Livres como o vento que pode soprar para onde quiser,
Independente do sol ou da tempestade.
Estamos livres e preferimos nos prender!
Tem gente que chama isso de loucura,
Mas eu prefiro chamar de amor.
E se isso não é amor, um dia eu ainda descubro o que é, então.
Eu nunca entendi nada de amor mesmo, só sei que amo. E pronto!


(Laiana Vieira).

Carta a minha parceirinha



É incrível como o amor já existe antes mesmo de você nascer.
Passamos a imaginar tudo com a sua presença:
Filme agora, só infantil;
Música alta? Só se for de ninar;
Brinquedinho espalhado pela casa inteira.
Cheirinho de talco pelo ar...
Tudo vai ficando mais colorido, a cada dia.
Você, que já nos trouxe alegria,
Continua a nos deixar na curiosidade de ver como são os seus traços,
Se terá orelhas pequenas (risos, isso eu precisava comentar),
Com quem vai se parecer mais,
Se os seus olhinhos brilham tanto quanto o nome escolhido...
Christal!
Seja bem vinda ao novo mundo!
Aposto que você vai adorar ver a cara de bobão do seu papai,
A cara de orgulhosa da mamãe e a cara de feliz de todos nós!
Faz tempo que a gente te espera hein menina!
Um beijo. Titia Lai.