sexta-feira, 12 de março de 2010

Carta a minha parceirinha



É incrível como o amor já existe antes mesmo de você nascer.
Passamos a imaginar tudo com a sua presença:
Filme agora, só infantil;
Música alta? Só se for de ninar;
Brinquedinho espalhado pela casa inteira.
Cheirinho de talco pelo ar...
Tudo vai ficando mais colorido, a cada dia.
Você, que já nos trouxe alegria,
Continua a nos deixar na curiosidade de ver como são os seus traços,
Se terá orelhas pequenas (risos, isso eu precisava comentar),
Com quem vai se parecer mais,
Se os seus olhinhos brilham tanto quanto o nome escolhido...
Christal!
Seja bem vinda ao novo mundo!
Aposto que você vai adorar ver a cara de bobão do seu papai,
A cara de orgulhosa da mamãe e a cara de feliz de todos nós!
Faz tempo que a gente te espera hein menina!
Um beijo. Titia Lai.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Tempos modernos

Ela hoje, aos dez anos de idade, após ter dado o seu primeiro beijo, às escondidas, se arruma e fica na frente da casa a observar cada movimento de folha que cai e cada poeira que voa na rua. Na esperança de ser aquele garoto que lhe roubara um selinho, no canto da casa da avó.
Foi-se o tempo das bonecas de pano, dos carrinhos de madeira e das rodinhas de ciranda nos quintais vizinhos... Foi-se a infância... A inocência.
Ela e suas amigas já estão cansadas de brincadeiras repetidas, de sujar os vestidinhos de laço fazendo bolinhos de lama e de despentear os cabelos nas corridas apostadas.
Bom mesmo é se exibir para os meninos, que nada entendem de moda e que só pensam em campeonato de videogame. Elas os acham uns bobos... Elas me acham careta.
Eu, que já nem me permito todo o tempo do mundo para brincar de macaco e jogar bolinhas de gude, tenho saudades dos meus dez anos em que eu não me preocupava com aparência e vivia a melhor época da vida.
Eu, hoje, velha, aprendo com as crianças e já duvido se elas o são.

(Laiana Vieira)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Hoje eu só queria sair um pouco...

As vezes me sinto como um passarinho...
Passarinho preso na gaiola foi o que eu quis dizer!
Que tenta se acostumar com o pouco espaço em que vive,
Mas que sonha em voar bem alto,
Sonha em conhecer a outra parte do mundo.
***
Hoje sinto vontade de sair um pouco...
Ver a Lua, sentir o cheiro da noite...
Mas está tudo tão cheio lá fora,
Cheio de pessoas que sentem prazer em impedir a nossa diversão,
Cheio de prédios intermináveis que ofuscam a nossa visão.
Cheio demais.
Não sobra espaço.
***
Hoje, vejo a Lua através de um monitor,
Sinto o cheiro da noite em volta da minha janela.
Não tem graça!
Hoje eu só queria sair um pouco.
É, queria.


(Laiana Vieira)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Certa vez eu aprendi...

Certa vez, eu, querendo seguir a um pensamento arcaico que nem sei como surgiu, disse: "a esperança é a última que morre". E ela me falou que não. Disse que quem morre somos nós, a esperança permanece.
Certa vez eu disse que tinha medo de amar. E ela me contou que não teria graça viver sem o amor. E se tivermos que correr riscos para sermos felizes, façamos sem pensar nas consequências!
Certa vez, tive medo de falar tristes verdades para não magoar ninguém. E ela me mostrou que eu devo falar tudo o que sinto para não magoar a mim mesma. E que, triste ou não, a verdade deve ser dita antes que seja tarde.


Hoje eu posso dizer que tive esperança nos momentos mais difíceis.
Posso dizer que amei e que amo, amo muito.
Posso dizer que ela estava certa, se eu não tivesse dito a verdade naquela oportunidade, talvez, eu não estivesse escrevendo estas palavras agora.
Agradeço a Deus por ter você comigo depois de tantos anos. Agradeço a você, minha amiga, por me ensinar como crescer.

[Laiana Vieira]

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Palavras e Silêncio

Quando todos querem me ouvir
Eu me calo!
Nada intencional,
Talvez, um bloqueio a ser quebrado.
Mas acho que as minhas palavras desordenadas e sem jeito
Não falam tudo o que os outros esperam ouvir...
Mas eu falo... Falo muito!
Falo tudo o que penso,
É só prestar atenção em meus olhos.




(Laiana Vieira).

Esse amor

"Prefiro morrer de saudade a morrer sem ter vivido um amor de verdade."



Laiana Vieira.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Das preferências... ["Só pra zuar"]


Todo mundo tem um autor preferido,
Uma música como trilha sonora,
Um filme que não esquece
E um livro vivo na memória.

- Eu prefiro ver a Lua.
- Eu prefiro o Pôr-do-sol.
- Eu prefiro o frio do inverno.
- E eu o calor do verão.
- Eu sou da noite, dos solitários.
- E eu do dia e da multidão.

E nós amamos os livros, as letras e os contos.
Música, cinema, literatura e arte.
Dores, amores. Encontros e desencontros.
Iguais, diferentes. Apenas em partes.

Todo mundo escolhe um amigo para ser irmão.
E prioriza uma estação do ano.
Tem uma cor para ser sua.
E preferência por... “um bibliotecário”.

E todo mundo perde tempo com um monte de besteiras;
Mas poucos fazem disso felicidade.


(Laiana Vieira e Aldecy Brasileiro)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Dores e esperanças

E assim deu-se a nossa despedida...
O nó atravessado na garganta começara a apertar desde cedo. Desde quando conversávamos na cozinha, em volta da mesa vazia.
Eu evitava o contato visual seguido de palavras esperançosas de que tudo daria certo. Evitava, para que o sofrimento parecesse menor. Mas não era!
Eu tinha medo de chorar na frente dele! Não queria tornar ainda mais difícil a nossa dor, ainda que para isso precisasse me conter e sofrer em dobro, e sozinho.
Já do lado de fora da nossa casinha de tijolos, o sol ardia... E os meus olhos semi-fechados escondiam a vermelhidão das lágrimas que estavam prestes a cair.
Eu não sabia até quando iríamos aguentar segurar aquele nó cada vez mais apertado e sufocante. O pai também tentava não mostrar o quanto sofrera com a sua partida.
Tudo o que eu queria dizer naquele momento era exatamente: Eu o amo!
Mas as normalidades do contexto histórico não me permitiam tamanha sensibilidade.
Por que tudo tem que ser tão difícil?
A nossa dureza sentimental imbecil que não permitia que homem chorasse estragava tudo. Ainda que eu tivesse apenas onze anos de idade.
Aprendi certos costumes inúteis desde cedo, não queria contrariar.
As lágrimas ali contidas até o momento... Uma palavra e estragaria tudo!
Enfim, o abraço!
O abraço...
E os meus olhos já tão rasos d’emoções mútuas transbordavam...
Não consegui.
Não havia mais como.
Os soluços...
E o meu pai também chorou.
De nada adiantou conter as emoções por tanto tempo,
Mas foi um alívio para mim aquele momento.
Esqueçamos essas irregularidades e combinemos uma coisa: A partir de hoje nunca mais deixaremos de expressar os nossos sentimentos.
É tudo tão passageiro e depressa, não podemos perder tempo.
Não me esqueço do dia em que papai saiu de casa para ir em busca do nosso sonho. Nunca me esqueço que uma lágrima caíra dos olhos dele. Nunca me esqueço que um abraço ele me dera, talvez com medo de não mais me ver. Nunca me esqueço das suas mãos fortes e calejadas acenando um tchau tão doloroso e preciso. Nunca me esqueço da nossa coragem... Nunca, nunca me esqueço!
E ao ver que a sua imagem diminuía naquela estradinha barrenta, corri atrás dele como quem quisesse segurar as suas mãos e não deixá-lo ir embora...
Corri,
Corri até cansar...
Chorando...
Ele se foi...
Mas sei que voltará!


[Laiana Vieira]

domingo, 1 de novembro de 2009

Intertextualidades


No meio do caminho tinha uma rosa,
Tinha uma rosa no meio do caminho.
Mas, de tão depressa que passei,
Mal pude notar...
E quando voltei
Era tarde demais
A rosa já não estava lá.


A primavera também já havia passado,
Agora só lamento...
Por mim e pela rosa jogada ao vento
Que não foi apreciada como deveria ser


O que me conforta é pensar
Que o vendaval pode ter cuidado dela melhor que eu
E talvez, com a minha maneira singular de amar,
Poderia ter arrancado e a deixado morrer...
Mas é tudo muito injustificável!
Da próxima vez que eu encontrar uma rosa...
Apreciarei, mas não a tirarei do seu sustento
A trarei para a minha vida, sem arrancá-la do seu destino,
Isto se houver uma próxima vez!


Por isso, abra o seu coração
E preste bem atenção
Nos caminhos em que passar
A beleza está em todos
E as rosas, em todo lugar
Cabe a nós, sabermos observar
E não mais desprezar o que a vida nos reservou.


Nunca esquecerei que no meio do caminho tinha uma rosa...
E eu, apressado, escravo do tempo,
Não senti sua fragrância...
A perdi de vista.



[Laiana Vieira]